Ano passado, em meados de setembro recebi uma proposta excelente de trabalho em outra cidade e resolvi aceitar.
Foi uma grande mudança, pessoal e geográfica. Longe de casa 1600 km, comecei com um cargo de coordenação na área comercial de uma organização no Rio Grande do Sul. Formada em Marketing, pude finalmente aplicar o que havia aprendido. Estava massa, possuía um bom relacionamento no trabalho e fiz amigos, mas com o passar dos dias e meses comecei a pesar se realmente valia a pena deixar família, terceirizar educação da filha e entre benefícios e percas, entendi que estava perdendo o melhor da vida. Conversei na empresa, expliquei a situação e fizemos um acordo.
Voltei.
Dirigi todo o caminho de volta sozinha e entre morros, pedreiras, rios, e muito muito asfalto pensava em tudo o que havia tentado naqueles meses, em planos que tinham sido feitos e, não fiquei triste por interrompê-los, pois a sensação de estar voltando foi indescritível! Quando vi a grande Goiânia de longe, era como estar chegando ao paraíso. Como foi bom ter voltado para minha casa, minha cama, meus queridos e minha pequena. Não tive dúvidas de que havia feito a melhor escolha.
Foi uma experiência válida, pois sempre quis sentir o gosto de morar em outra cidade, mas relacionando as impressões pessoais do lugar em que eu morei, é frustrante.
Sempre ouvi que o sul do país é repleto de pessoas educadas, inteligentes, loiras do tipo europeu, lindas, que a qualidade de vida lá era bem diferente do restante do país, que as cidades eram super desenvolvidas, o clima agradável.
Oi?
Calor dos infernos, de 40° na sombra. Sério, sem exagero. Não cheguei a pegar o inverno e, glória a Deus nas alturas por isso!
Das pessoas… bem, isso eu preciso tomar cuidado. Conheci pessoas absurdamente incríveis, fiz amizades que certamente serão lembradas por toda vida, mas algumas, gente… citarei um exemplo prático. rs*… Estava conversando com uma professora universitária, quando disse que era de Goiânia, ela me questionou se essa cidade era em Minas Gerais. Sim. Isso mesmo. Me contive. Boa parte dos gaudérios, acham que existe o sul, claro, São Paulo que é a mesma coisa de Rio de Janeiro, Espírito Santo, o nordeste e o ‘lá pra cima’ que se resume ao restante do país.
Exemplificando:
São extremamente bairristas, apegados à sua cultura e hostilizam pessoas que não são de lá pelo sotaque, e infelizmente pela cor. Preconceituosos. Vivem pelo dinheiro, tudo é dinheiro, só se fala em dinheiro. Diversão? Onde eu morei, Erechim, existe pouco mais de 90 mil habitantes, e tem várias cidadezinhas ao redor. A diversão é feita basicamente por “bailões” em taperas afastadas de qualquer centro urbano, a cidade tinha um shopping com um supermercado de grande porte e cinco lojas, havia apenas um cinema.
Gente transparente de olho azul era mato! Geralmente sacavam que a neguinha aqui não era gaúcha e sempre tentavam se aproximar com curiosidade, e nunca entendiam indignados o que eu tinha ido fazer lá. Vi poucas mulheres realmente bonitas, e eu sei apreciar beleza feminina, já os homens… os “europeus” eram bem bonitos e atraentes.
O trânsito… gente, nunca mais reclamo de trânsito de cidade grande! Não há vagas pra estacionar, não existe estacionamento pago, e você pode ser multado se parar e não observar a “área azul”, os carros não possuem setas (rs*), as pessoas param do nada e os pedestres são suicidas, se jogam pra atravessar a rua independente de você estiver vendo, e também vi tratores trafegar na vias. É.
Comida, bebida muito muuuuuito caro.
Apesar de conhecer uma dúzia de pessoas no máximo, elas sempre sabiam a hora que eu chegava, saía, com quem conversava, se bebia, davam notícias a meu respeito… fiquei famosa na capitar por um tempo! hahaha
E de tudo isso que eu acabei de citar, das vantagens foram experiência de vivência pessoal e profissional, que sempre são bem vindas, né?.
Estou vivendo uma fase de começos, em busca de um novo emprego… mas disso falo depois!
Ps.
O texto é uma narrativa de minha experiência pessoal, que pode não ser dessa forma pra outras pessoas que talvez vivenciaram algo parecido, ou que é ou mora na região, não tive pretensão de ser preconceituosa. Ok?