Segunda-feira cinza

 

“[...] todo mundo sabe mas ninguém acredita. Não conseguem ficar juntos. Simples. Complexo. Quase impossível.
Ele continua vivendo sua vidinha idealizada e ela continua idealizando sua vidinha. Alguns dizem que isso jamais daria certo. Outros dizem que foram feitos um para o outro. Eles preferem não dizer nada. Preferem meias palavras e milhares de coisas não ditas.
Ela quer atitudes, ele quer ela. Todas as noites ela pensa nele, e todas as manhãs ele pensa nela. E assim vão vivendo até quando a vontade de estar com o outro for maior do que os outros.
Enquanto o mundo vive lá fora, dentro de cada um tem um pedaço do outro. E mesmo sorrindo por ai, cada um sabe a falta que o outro faz.
Nunca mais se viram, nunca mais se tocaram e nunca mais serão os mesmos. É fácil porque os dias passam rápidos demais, é dificil porque o sentimento fica, vai ficando e permanece dentro deles.
E todos os dias eles se perguntam o que fazer.
E imaginam os abraços, as noites com dores nas costas esquecidas pelo primeiro sorriso do outro. E que no momento certo se reencontrem e que nada, nada seja por acaso.”

TB

 

Nada foi por acaso, além do acaso que nos fez topar naquele domingo solitário e naquele lugar ridículo.
Mas mais ridícula eu me sinto, quando vejo o tanto que tenho aqui ainda. Do sorriso, do cheiro, da saudade que sempre foi antecipada e, todos os detalhes que envolveu essa relação.
Só Deus sabe o quanto eu seria capaz de amá-lo se o permitisse.
Mas que importa?
Do beijo, do abraço, do carinho, do sexo sobra tanta falta.
Ok. Eu sei que em um dia desses qualquer, em uma esquina, ou um bar, ou clube, seja lá onde for, eu vou conhecer outra pessoa, me apaixonar por ela e começar tudo de novo.
E, eu estou cansada de começos, de novos. O novo é tão igual: ele irá se encantar por mim, pois nunca viu em sua vida uma mulher tão cheia de adjetivos antes, tão sincera, tão livre, tão determinada, e todo o blá blá blá que eu sei a meu respeito. Cansei de ser tanto, e não me encaixar exatamente ao coração dos que eu acabo me apaixonando.
Escolhas erradas? Não sei.
Mas o que eu quero HOJE é o que ficou há uns dias atrás, quero desejo igualmente à confiança, quero o amor igualmente à lealdade, quero você [só] pra mim. Mas querer não é poder, atitude sim, e por mais que eu veja daqui o quanto algumas coisas não o fará bem e feliz, é necessário que haja um teste empírico, para mostrar como ‘resultado científico’ o que eu já sei de olhos fechados, o que o senso comum me ensinou… Enfim, isso não é tudo e tudo se torna muito pouco diante do que eu seria capaz de expressar. Mas expressar  para quem mesmo?

Para quê?

Quem me escuta?

Quem me lê?

Sorte a nós, a nossas escolhas, ao nosso presente, ao nosso futuro… porque do passado, passou.

 

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