Epigrama

A loucura é a grandeza dos simples:
assim são eles mais do que eles,
colhendo flores brancas e reles.

Os doidos, de olhos arregalados,
crescem devagar como as árvores:
só não dão folhas nem frutos.

Amo as suas frases sem sentido:
dobram nelas os sinos abstractos
de um campanário sem janelas.

Dai-me, ó loucos, a vossa razão
— esses remos de subir o tempo
até à fonte de um deus obsceno e nu.

(Nuno Júdice)

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Quero tanto escrever-te palavras soltas e bonitas. Mas não consigo.
Não me sinto nem muito alegre, e nada triste.
Mas eu paro de vez em quando e olho no buraquinho da fechadura pra ver se consigo perceber algum detalhe. Vejo tumulto, mas nada organizado.
Volte amanhã, talvez esteja mais tranquilo, mais claro e a lucidez fará sentido ao que foi sentido outrora.
Tolice, meu caro, é viver a vida sem aventurar-se, dizia o poeta. Sendo loucura… pra quê ter razão?

 

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