Sabe aquelas horas em que não se tem um pingo de vontade de falar ou fazer coisa alguma?
Então, me sinto inerte, talvez por conta da solidão da minha casa nesse momento, apesar de que adoro isso, já que momentos solitários para mim, são raros. Aqui está sempre cheio de gente. Hoje é um dia atípico.
Notebook no colo, tv ligada no Telecine Fun, passando O diabo veste Prada, no mute, o ventilador ligado, os celulares na cama, e me sinto moída pela semana tensa e de muito trabalho. Quase sinto o sono chegar, e está tarde, eu já deveria estar dormindo, mas apesar de amar a solidão momentânea adoraria, obviamente a cia do meu herói, mas nem tudo que se quer, se pode em determinadas horas. E eu sei que ele está muito bem acompanhado, pleno e feliz. O que também me deixa muito feliz também.
E daí me pego lendo Drummond, ouvindo Teatro Mágico na playlist do meu HD, e me deparo com uma canção, já ouvida antes, mas que tinha passado aos meus ouvidos detalhistas, sem ser percebida, e a achei tão linda… ‘A Bailarina e o Soldadinho de Chumbo’. Apesar de que a música em si, não ter muito a ver com o conto real, que acredito que todo mundo saiba, porque são estorinhas que as tias do antigo primário nos contavam quando pequenos, mas só pra relembrar, o conto narra a estória de um soldadinho de chumbo que se apaixona por uma bailarina de papel.
O fim, in-felizmente é ‘triste’. Alguém arremessa o soldadinho na lareira que o consome pelo calor do fogo – não se sabe se pelo calor do amor ou do fogo em si, – e ele começa a se desfazer por conta da alta temperatura, quando um vento forte arremessa a sua amada pelo mesmo fogo que o consumia. E, então o mesmo fogo consumiu os dois, até que deles sobraram uma mistura de chumbo e papel, dando o formato de um coração, que foi encontrado no outro dia. Dizem que apesar da situação ter sido forçada os dois estão felizes, pelo menos não vão mais ficar sozinhos, agora eles tem um ao outro. Sempre, sendo um só… E a moral da estória, pelo menos eu entendo assim, é que as vezes, por alguém em especial, é imprescindível se queimar.
É um tipo de estórias que nos contam quando pequeninos para dormir, estórias para ninar uma criança… E eu me lembrando disso, a uma hora dessas! E me lembro também, o quanto já perdi em apenas olhar para a lareira, ao me lembrar do fogo que foi aceso e, sim, eu me lembro de não ter aberto as janelas, de não ter permitido que os ventos entrassem, para que eu fosse lançada para o calor excessivo, esse que é o único capaz de purificar, unir, lapidar, moldar…
Mas penso que aprendi. Aprendi que cada dia se vive apenas uma vez. Que se deve vivê-lo intensamente. Com sobriedade, objetivos certos e sabedoria para saber a hora certa para abrir janelas, acender lareiras, se deixar lançar e principalmente, se deixar moldar.
E eu, como ‘bailarina’, vejo meu soldadinho de chumbo manco daqui de cima do meu aparador. O fito e o observo, e ele ainda não sabe que já está dentro da lareira, sendo TRANSFORMADO aos pouquinhos. E, a visão que eu tenho daqui de cima, é que cada vez mais ele se modifica e se renova, e estou certa de que o quanto antes ele se tornará no melhor que ele pode ser. O quanto antes, enfatizo!
Mantenho minha janela semi-aberta. Esperando pelas ondas de ventos mais fortes que me levarão à esta lareira, onde se encontra meu soldadinho de chumbo. Mas isso, acontecerá na hora certa, pra mostrar que estar ao lado ou ver de longe não é suficiente. Até basta, mas não o suficiente.
Enquanto o vento não sopra, o melhor é deixar que o fogo acenda e transforme o que estava apagado, moldando, aperfeiçoando, melhorando, crescendo, renascendo. E quando chegar este ‘fim’, talvez nem seja tão ‘triste’ quanto o do conto, e sim, quem sabe não há de ser a peça mais linda que um dia alguém já conseguiu moldar?
Ouvi:

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Nov.4,2011

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