Me encontre!

Ela ‘desapareceu’ por um tempo. Quase dois meses. O tempo que ele precisava pra repensar o que realmente queria. Por quê? Por respeito, por ter vivido aquela situação, por saber que não era fácil, e porque ela se amava tanto que não queria ser ‘band-aid’ para nenhum coração partido, tapa-buracos, ou muito menos se ver apaixonada, e talvez o visse voltar para o passado. Recuar, foi saudável, e o mais sensato naquele momento. Não atendia as ligações, nem retornava mensagens, nem os recados. E, viveu aqueles dias sem pensar muito, sem pensar em nada. Sabe, vivendo normal, com suas rotinas diárias. Até que um dia se esbarraram, e ele quis tanto ir ao seu encontro, e, apesar da dúvida latente de que ele viria, o encontro se deu.
E estava lindo (mesmo usando pochete), com a barba por fazer. Lindo. Ela também. Lindos e sedentos, saciaram a suas sedes, no abraço, no beijo e, no amor.
Era tanta saudade e conversa pra atualizar que a impressão era de que se conheciam desde que nasceram… Ela sabia muito dele. Sim. Pelas expressões, pelo olhar, respiração, semblante… E viu que ele estava bem, superando aos poucos, e muito melhor do que naqueles outros meses.
Então… ao invés de ficar só observando por dentro da toca, ela colocou agora, a pontinha do nariz pra fora, e se deixou ser observada, até que ele a percebeu e a puxou pra fora daquele buraco.
- Você está menos arredia.
Ela ficou pensativa. Ele tinha razão. Ela se sentia absolutamente mais à vontade, até ouvir algo que a fez estremecer e se calar.
- Eu falo muito pouco de mim e você sabe. Mas… (ele bate com uma de suas mãos no peito, aquele lado do coração, sabe?), você representa muito pra mim, e é muito especial.
- O que represento pra você?
Ele pensou por alguns instantes.
- Um farol. E não me pergunte nada mais.
Nem precisava. Ela sabia o que significava um farol e qual a sua função. Não soube dizer se gostou daquele adjetivo, mas ao mesmo tempo ficou feliz. Porque independente daquilo que os impeliam um ao outro, era fundamental manter antes de tudo uma parceria, amizade, e ajudar estava no pacote. Ela tem feito o que pode, e o que está em seus limites, e sorri, sempre que pensa nele, as vezes alto, diz consigo: ‘ele tem me feito bem e feliz.’
Sorri novamente e aproveita o que está sentindo.

“…como dois rios que correm a unir-se, nossas inclinações particulares nos impeliram um para o outro.”

 

 

A poesia fala por mim…

- Tem dó de mim?

“[...] Saudade do teu olhar carinhoso, teu abraço gostoso, de passear no teu céu. [...] e quando estou com você, estou nos braços da paz.”

Volta logo!

Como se nasce uma Lótus?

“Considero muito reconfortante a resistência do Augusteum, o fato de essa estrutura ter tido uma história tão atribulada e, mesmo assim, ter sempre conseguido se ajustar à loucura específica de cada época. Para mim, o Augusteum é como alguém que levou uma vida totalmente louca – alguém que talvez tenha começado como dona de casa, depois inesperadamente ficado viúva, em seguida virado dançarina para ganhar dinheiro, de alguma forma tenha se tornado a primeira dentista mulher do espaço sideral, e depois tentado a sorte na política – e que, mesmo assim, conseguiu manter intacta a consciência de si próprio durante cada reviravolta.
Olho para o Augusteum e penso que, no final das contas, talvez a minha vida na verdade não tenha sido tão caótica assim. É apenas este mundo que é caótico e nos traz mudanças que ninguém poderia ter previsto. O Augusteum me alerta para eu não me apegar a nenhuma idéia inútil sobre quem sou, o que represento, a quem pertenço ou que função eu poderia ter sido criada para executar. Sim, eu ontem posso ter sido um glorioso monumento a alguém – mas amanhã posso virar um depósito de fogos de artifício. Até mesmo na Cidade Eterna (Roma), diz o silencioso Augusteum, é preciso estar preparado para tumultuosas e intermináveis ondas de transformação.”

Li isso nesse fim de semana prolongado e, óbvio me vi nessa analogia. Desde quando nasci, minha vida está naturalmente em constantes mudanças. Primeira infância, idade escolar, puberdade, me vi adolescente e com um monte de interrogações mentais, doente, até que me descobri cristã, amando Jesus mais do que nunca, e o que Ele fez na minha vida, que foi um verdadeiro milagre. Me vi na fase de começar a flertar, 17/18 anos (sim, eu comecei a fazer isso um pouco tarde para o parâmetro atual), achei que tinha descoberto o homem da minha vida aos 19, um amigo de adolescência, muito erudito, músico, universitário, ou seja, para uma mocinha cheia de planos, ele era um partidão, o melhor dentre seus pretendentes, e ele quis me namorar, e apesar de querer muito, eu hesitei a pensar sobre isso alguns dias, até dizer sim. Namoramos sério, noivamos e nos casamos. Um ano e meio, talvez tenha durado todo esse processo, até o casório. Pouco tempo, mas eu o conhecia desde os 14 anos e, pensava que conhecia demais. Me casei com meu primeiro namorado e homem. E eu considerava isso muito importante, pois eram valores que eu prezava, e poderia levar pra eternidade.
Nossa filha veio um tempo depois sem planejarmos, mas preencheu nossos corações, o nosso lar, e a nossa sala com seus brinquedinhos sempre espalhados pelo tapete. Linda, feliz e sorridente. E eu agradecia tanto à Deus por viver àquela maneira, por ter uma ‘família’ linda, por ser tão fiel à ela, e tão cega para as coisas do ‘mundo’. Éramos o casal perfeito: não brigávamos, frequentávamos a casa dos amigos, tínhamos uma vida devocional e éramos exemplos pra muitos. Só que em algum momento, eu me perdi. Via e sentia isso. Vi que eu era tão meu marido, que eu nem sabia mais quem eu era, meus infinitos sonhos, minha profissão, minha identidade, eu. Cadê eu?
E o casamento, alguns anos depois não estava bem. Por mais que eu fingisse que estava, não, não estava. Ele havia mudado muito, não era mais aquele homem devoto à família, não ligava mais durante o dia pra saber se eu estava precisando de algo, ou se nossa pequena estava bem, e eu fui me tornando extremamente carente. Casada, só e carente. Casada, carente e solitária, e por várias vezes ouvi palavras tão duras, rudes e tão pobres que jamais ousaria repetí-las. Palavras tão doídas vindas de alguém que eu entreguei o meu ‘EU’.
Mas, quem eu era?
Sinceramente, eu não sabia até ouvir: ‘Não ligo pra você há algum tempo, não me importo com nosso casamento falido, e isso está muito nítido. Não quero mais essa vida. Não te amo mais e, eu preciso de um tempo.’
Tempo?
Era mais ou menos 2 horas da manhã, de uma madrugada de fevereiro.
Há alguns meses, já não dormia mais, nem conseguia, vivi meses de extrema ansiedade, e depressão. Sozinha. Noites e noites em claro, pensando, pensando e pensando. Perdida. Essa é a palavra. O que fazer diante da imagem que passávamos de casal perfeito? Como acabar com isso de um dia para o outro? E a nossa filha que tinha apenas 4 anos? E tudo o que ele pregava sobre filhos de pais separados? Sobre casais que divorciaram? E a Igreja? E os amigos? E nossas famílias? E as promessas que fizemos de ‘até que a morte nos separe’, e o compromisso de honrar? E todo peso religioso que eu ía carregar? O que eu ía fazer, porque eu não trabalhava, porque ele não permitia, pois segundo ele ‘quem cria os filhos são pais e mães presentes’? Mãe solteira, eu? D-I-V-O-R-C-I-A-D-A! Essa palavra pesava 200 toneladas na minha mente.
Achei que fosse pirar. Ele havia decidido ir embora. Já era definitivo. Mas não saía, e enrolou sua saída até quando pôde e, esperar esse fim de uma vez por todas, me adoecia mais a cada dia. Não dormia mais na mesma cama que ele. Não trocávamos bons dias, boas tardes ou boas noites. Nada. E ficamos assim durante uns meses, até tomar uma dose coragem e um resgate comovente de amor próprio preparei tudo na manhã do feriado de Tiradentes, arrumei cautelosamente todas as coisas dele, enquanto ele dormia, até que…
- O que você está fazendo?
- Te ajudando.
- Como assim?
- Você não decidiu sair de casa? Tem certeza disso? (eu ainda perguntei umas 5x, torcendo pra que numa dessas respostas, ele se arrependesse).
E, sim foram as 5 respostas às minhas 5 perguntas.
- Então, isso irá acontecer hoje. Respondi. Só dei um incentivo. Está tudo pronto e encaixotado, e se quiser, pode rever se esqueci de algo.
Sem falar nada, nem ele, nem eu, peguei a pequena filha e a poupei daquela cena. Fui pra casa da minha mãe, que morava perto, entreguei a cria pra ela e corri para o banheiro. Sentada no chão daquele lugar frio, eu tentava sufocar meu choro com uma toalha, e fiquei ali por algumas horas, infinitas horas, esperando que aquilo fosse um pesadelo e que eu acordaria a qualquer momento.
Mas não era.
Foi a dor mais doída que já havia sentido: o fim do amor que ainda era vivo em mim.
O fim de muitos sonhos, o fim de grandes expectativas, o fim de ver minha filha crescendo e convivendo ao lado dele, e se orgulhando de seu pai. Não era justo. Já que ele decidiu sozinho, sem me dar ao menos uma chance de rever o que possivelmente fiz de errado. Não era justo ter como recompensa um divórcio, depois de tantas e inúmeras dificuldades que passamos juntos, mas felizes. O que tinha acontecido de verdade, já que estávamos começando a alçar vôos maiores? E o silêncio sempre foi resposta. Era o fim. O meu? Não sabia, com sinceridade. Mas tinha certeza de que poderia morrer a qualquer momento. E, por várias vezes me vi no colo da minha mãe, chorando as duas. Eu, pela decepção, ela pela dor de ver uma filha sofrendo tanto. Mas graças a Deus pelos pais. Eles são tudo! E vi, o quanto eles se importavam comigo, me carregaram no colo. Me confortaram. Enxugaram tantas lágrimas insistentes. E me ajudaram muito com amor, a mim e à minha pequena.
Aos poucos, e com o passar dos dias, os amigos e conhecidos em comum, me dava notícias de que ele estaria se relacionando com outra pessoa durante o casamento, fato que se confirmou quando ele a assumiu sem dó e piedade, ou respeito, ou qualquer outra palavra que caiba aqui, já no mesmo mês que saiu de casa.
Foram 6 meses, dias e noites chorados. Até que um dia me levantei e disse a mim mesma: “Chega!”.
Procurei emprego, voltei a estudar e comecei com a terapia, que se arrastou por longos 3 anos. Os anos, e o dinheiro melhores investidos na minha vida. O meu psicólogo, abaixo de Deus, família e amigos irmãos, foi o grande responsável para a sacudida e guinada que se deram.
E, eu ainda o amei por dois anos. Chorava de quando em vez, invejava sua pseudo felicidade, e não achava justo o que ele tinha feito, da forma que fez, como fez. E eu tinha esperanças remotas de que um dia ele se arrependesse. Sim, tinha. Mas do amor, aprendi a respeitar a decisão do outro, aprendi que amar também era abrir mão e deixar que ele se fosse, para vê-lo feliz. Parece masoquismo, mas não é. Amor só faz bem, quando está bom para os dois. Quando o fiel da balança está desajustado, um lado pende mais que o outro. E dói, porque as cargas são desiguais e as medidas diferentes.
Quase 5 anos depois,  ele me procurou pedindo perdão, dizendo que se pudesse voltar atrás, ele voltaria, que não sentia paz, que deveria ficar com quem realmente o amava… e um monte de ‘blá blá blá’ conhecido e bem comum de quem reconhece o peso e o valor do que perdeu. Perdeu mesmo e, pra sempre. Muita coisa havia mudado, eu muito mais.
E de verdade quero o melhor pra ele e sua família.
Hoje, sou outra. Por dentro e por fora. Tanto como SER, tanto sendo. Por fora, foram-se embora 34 kg. E, sim estou e me sinto linda! Agora, mais lindo ainda é a mudança interior. Cresci, amadureci, aprendi tanto sobre mim, reconheci minha força como ser humana, tenho sonhos, corro muito pra alcançá-los, sei o que quero, vou atrás e, consigo sempre. Sou forte, e MUITO sensível, apesar de parecer como primeira impressão a mulher mais inalcançável e inatingível do mundo, termino com excelência o que começo, seja o que for. E Deus me transformou em uma grande mulher, Ele que sempre foi e é presente na minha vida. Nada é por acaso. E só conseguimos entender depois que passa. Tudo é lição e aprendizado. Leva-se um tempo. Passou pra mim, e né por nada não, sofri pra caraaaalho! E, um dia acordei pela manhã procurando pelo amor e mágoa dentro do meu coração, e eles tinham ido embora. Eu havia alcançado o perdão! O que me deixou absurdamente feliz! Eu o perdoei. Sinceramente, perdoei. Me perdoei da culpa. Jamais serei perfeita, mas faço tudo o que posso, com o tempo que eu tenho pela minha filha e, sou muito grata a Deus porque ele virou meu ex-marido, mas continou sendo pai e deu à nossa filha um irmãozinho lindo, que ela ama tanto!
Não sei quais os planos de Deus para meu futuro. Sei dos meus, mas é Dele que vem a certeza, e a batida do martelo.
Não sou perfeita, enfatizo, e só por isso, sinto o amor, graça e perdão sendo derramados todos os dias sobre mim e os meus.
Quero alcançar o céu, não como em Babel, pra ser tão grande quanto Deus, quero alcançar o céu, no sentido de que ele seja o meu limite, e que todas as coisas estejam sob Seu controle. Quem poderá me impedir?

Um dia bem à flor da dor, me disseram que eu ajudaria a muitos com a experiência que tive. Juro que me emputeci ao ouvir aquilo, porque PQP, eu não queria era estar passando por aquela situação. Contudo, não sei se já ajudei, mas sou boa ouvinte, e uma sobrevivente de casamento e sonhos frustrados. Tudo é suportável, e possível para nos moldar, mesmo a traição quando se é muito fiel, mesmo a solidão de Natais e Anos Novos passados sozinha. Tudo passa e o tempo ainda é o melhor remédio. Um dia se ama de novo, e de novo, e de novo… até que encontramos alguém com poderes de super heróis, capazes de transformar um dia cinza ou uma noite de muito estresse, em momentos fabulosos. Eles sempre chegam na hora certa!
Há amor.
Há vida após a separação, divórcio, seja o que for.
Dá pra continuar sendo pai/mãe, mesmo vivendo em casas separadas.
Tudo se ajusta.
E, como eu sempre [orgulhosamente] digo, NADA MELHOR QUE UM RECOMEÇO! E como Liz, citou no fragmento do livro Comer, Rezar e Amar: é preciso estar preparado para tumultuosas e intermináveis ondas de transformação!

Estejamos sempre prontos!

:)

O por quê do título? 

A flor de Lótus nasce na lama e só se abre quando atinge a superfície, onde só então mostra suas luminosas e imaculadas pétalas, que são autolimpantes, isto é, têm a propriedade de repelir microorganismos e poeiras. É também a única planta que regula seu calor interno, mantendo-o por volta de 35º, a mesma temperatura do corpo humano. O botão da flor tem a forma de um coração, e suas pétalas não caem quando a flor morre, apenas secam. Assim, para os Chineses, o passado, o presente e o futuro estão simbolizados, respectivamente, pela flor seca, pela flor aberta e pela semente que irá germinar.

Parábola

Sabe aquelas horas em que não se tem um pingo de vontade de falar ou fazer coisa alguma?
Então, me sinto inerte, talvez por conta da solidão da minha casa nesse momento, apesar de que adoro isso, já que momentos solitários para mim, são raros. Aqui está sempre cheio de gente. Hoje é um dia atípico.

Notebook no colo, tv ligada no Telecine Fun, passando O diabo veste Prada, no mute, o ventilador ligado, os celulares na cama, e me sinto moída pela semana tensa e de muito trabalho. Quase sinto o sono chegar, e está tarde, eu já deveria estar dormindo, mas apesar de amar a solidão momentânea adoraria, obviamente a cia do meu herói, mas nem tudo que se quer, se pode em determinadas horas. E eu sei que ele está muito bem acompanhado, pleno e feliz. O que também me deixa muito feliz também.

E daí me pego lendo Drummond, ouvindo Teatro Mágico na playlist do meu HD, e me deparo com uma canção, já ouvida antes, mas que tinha passado aos meus ouvidos detalhistas,  sem ser percebida, e a achei tão linda… ‘A Bailarina e o Soldadinho de Chumbo’.  Apesar de que a música em si, não ter muito a ver com o conto real, que acredito que todo mundo saiba, porque são estorinhas que as tias do antigo primário nos contavam quando pequenos, mas só pra relembrar, o conto narra a estória de um soldadinho de chumbo que se apaixona por uma bailarina de papel.

O fim, in-felizmente é ‘triste’. Alguém arremessa o soldadinho na lareira que o consome pelo calor do fogo – não se sabe se pelo calor do amor ou do fogo em si, – e ele começa a se desfazer por conta da alta temperatura, quando um vento forte arremessa a sua amada pelo mesmo fogo que o consumia. E, então o mesmo fogo consumiu os dois, até que deles sobraram uma mistura de chumbo e papel, dando o formato de um coração, que foi encontrado no outro dia.  Dizem que apesar da situação ter sido forçada os dois estão felizes, pelo menos não vão mais ficar sozinhos, agora eles tem um ao outro. Sempre, sendo um só… E a moral da estória, pelo menos eu entendo assim, é que as vezes, por alguém em especial, é imprescindível se queimar.

É um tipo de estórias que nos contam quando pequeninos para dormir, estórias para ninar uma criança… E eu me lembrando disso, a uma hora dessas! E me lembro também, o quanto já perdi em apenas olhar para a lareira, ao me lembrar do fogo que foi aceso e, sim, eu me lembro de não ter aberto as janelas, de não ter permitido que os ventos entrassem, para que eu fosse lançada para o calor excessivo, esse que é o único capaz de purificar, unir, lapidar, moldar…

Mas penso que aprendi. Aprendi que cada dia se vive apenas uma vez. Que se deve vivê-lo intensamente. Com sobriedade, objetivos certos e sabedoria para saber a hora certa para abrir janelas, acender lareiras, se deixar lançar e principalmente, se deixar moldar.

E eu, como ‘bailarina’, vejo meu soldadinho de chumbo manco daqui de cima do meu aparador. O fito e o observo, e ele ainda não sabe que já está dentro da lareira, sendo TRANSFORMADO aos pouquinhos. E, a visão que eu tenho daqui de cima, é que cada vez mais ele se modifica e se renova, e estou certa de que o quanto antes ele se tornará no melhor que ele pode ser. O quanto antes, enfatizo!

Mantenho minha janela semi-aberta. Esperando pelas ondas de ventos mais fortes que me levarão à esta lareira, onde se encontra meu soldadinho de chumbo. Mas isso, acontecerá na hora certa, pra mostrar que estar ao lado ou ver de longe não é suficiente. Até basta, mas não o suficiente.

Enquanto o vento não sopra, o melhor é deixar que o fogo acenda e transforme o que estava apagado, moldando, aperfeiçoando, melhorando, crescendo, renascendo. E quando chegar este ‘fim’, talvez nem seja tão ‘triste’ quanto o do conto, e sim, quem sabe não há de ser a peça mais linda que um dia alguém já conseguiu moldar?

Ouvi:

Começando a conversa…

Hoje é segunda-feira. E, como todas as segundas são tensas. Corre-corre, trânsito, trabalho, clientes, o telefone que não pára, a faculdade, as provas e, uma infinidade de pesos negativos que também poderiam ser relatados e enumerados. Mas deixarei isso pra lá. O fim de semana foi tão bom.
E eu não vou me esquecer daqueles infinitos e doces momentos, quase implorados e suplicados! Ah, mas eu queria tanto… e ponto. Só iria ser melhor, se eu não precisasse voltar, e se pudesse ser embalada o dia inteiro, por aquela chuva no telhado, e aquele lençol, e, sei lá, também pela parte mais quente daqueles braços fortes.
Mas a gente acorda a 100 km/h, e volta para o curso natural do rio.
E, eu fico daqui, seguindo com a minha vida radical, sorrindo e toda feliz, pedindo a Deus que cuide da gente, que nos cure naquilo que precisa ser curado, que cuide dos nossos, que não nos deixe perder os sonhos, e nem a nossa obstinação em prosseguir, que Ele faça o melhor por nós e para nós, mas também não me esqueço de agradecer por ele ter te trazido na hora certa: de me permitir sentir.

Amém?

“Quero você. Quero eu. Quero cama desarrumada, lençol, café e travesseiro. Quero seu beijo. Quero seu cheiro.”

CFA.

*Não tem capa nenhuma, ou armadura. Só sei ser exatamente o que sinto. Aqui, aí, ou em qualquer outro lugar. E você me viu à primeira vista, num dia cinza. Mas, obrigada por ter me dado a vontade de voltar a escrever. De verdade: obrigada.

:)

Re-comece!

Tem motivo pra viver de novo
Tem o novo que quer ter motivo
Tem aquele que parece feio
Mas o coração nos diz que é o mais bonito.

[Fernando Anitelli]

Cada um de um jeito, com pontos de vista diferentes. Cada um, um ser singular. Próprio, com seu nome próprio, e com seus motivos para existir, para ser, para viver ou sobreviver. Isso é decisão!

Cada um pensa e é livre para fazê-lo como quiser.

Verdades não são absolutas.

Respeito.

Aceitação.

Uma dose de cada vez.

O que é pra você, foi passado pra mim. E o que é passado é lição.

Tempo. Todo o tempo do nosso mundo. E as coisas começarão a ter pontos definidos, desenhos certos para o que parece neste teu momento abstrato.

Passado, passa, passarinho… passar rindo!

Aperto de mão… Não que eu vá mostrar a direção, quem decide o que quer, é o ser e seus limites. Mas acredite, pluralizar é melhor que o singular.

Posso te ser, se você permitir. Você pode ser o que quiser, basta [me] querer. Eu sei o quero, apesar de que as vezes me perco, mas me encontro no sentido de nossa existência: puro, belo, presente e perfeito, sem pretérito e conjugações, ou muito menos julgações.

A vida convida a nos deliciarmos nela. E, eu vou continuar na tentativa de alcançar o meu presente. HOJE!

Lá vem, lá vem, lá vem…

Hoje, eu tenho uma urgência. Ela se chama saudade. E como já disse a poetisa: saudade é parecido com fome, só se mata depois de comer, degustar, de desfrutar o que em outros instantes era ou estava longe. Seria muito chulo dizer que estou numa fome absurda e, que estou ansiosa para matá-la? Que seja. Tenho muita sede e muita fome. Tenho muita saudade. Do cheiro, do beijo, dos ombros, do abraço, dos afagos no cabelo. E, sim. Eu me lembro de você, todos os dias, e conforme prometido tenho te levado do lado de dentro, muito bem guardado por onde quer que tenho ido.
Não teria melhor forma de ter me acordado nessa manhã.
Sei que está bem perto dessa urgência ser atendida, e eu quero estar disponível para receber-te. Saiba disso. Independente de como estarei, tenho urgência de você.

Poderia correr um pouquinho mais para atender minha ocorrência?

rs*

Miss you.

[...] e é de ti, que não me esquecerei…

 

Storm golden!

Ele a achou triste naquela tarde, e por mais que ela tentasse esconder, não conseguiu. Realmente estava. Motivos? Sim, haviam vários. Não os externos, mas os internos. Odiava despedidas. Tá, ok. Sei que não foi uma despedida, nem um adeus, nem um desejo de boa sorte, e nem um ‘a gente se vê’. Foi um ‘tchau, e juízo’. Ele a avisou quando chegou no destino, e felizmente chegou bem. Mas uma angústia a invade. Pensa tanto nele, naquelas últimas horas em que estiveram juntos, naquele lago maravilhoso à frente deles, naquele sol que dissipava aquela chuvinha romântica, porém chata e, que ela tanto odiava por conta de sua escova caríssima – que ela mesma fazia em seus cabelos, rs* -, pensa nele com tanto carinho… pensa no amor que fizeram, e detalhes tão ricos que dá inveja se fossem relatados, mas ela pensa, e sente tanto cuidado por aquele ser e, talvez algumas preocupações que ao meu ver são desnecessárias, porque os homens sempre se viram. E, ele, mais que os outros. Porque pra ela, ele sendo seu herói, era mais forte, robusto, bonito do que qualquer outro serzinho do gênero masculino da face dessa terra.
Ah, e ela suspira, e reclama… mas em silêncio. Ela e seus pensamentos. E a conhecendo tão bem, vejo e os leio pelo seu olhar, pela respiração e inspiração que denota ansiedade, saudade, algo parecido com isso. Não sei ao certo.
Penso que ela teme a ‘distância’, e essa tão amada tecnologia não tem sido favorável à ela, ou a eles.
Ela não faz ideia do que tem se passado nesse momento, onde ele está, o que está fazendo. E sendo tão curiosa – ele também é – , sofre. E ele não te liga, e obviamente não é intenção dele, mas isso só a faz sentir como se estivesse morrendo aos poucos! Ai ai, como ela é exagerada, meu Deus!
Dei alguns conselhos do tipo de que não adianta ser assim ou agir assado, que é melhor viver um dia após o outro. E o que tem de ser será. Mas ela só tem a mim pra desabafar. Então a ouço. Mais ouvidos, do que voz. Ela teme que o que ‘rola’ entre eles, se esfrie. Acho que é isso. Que bobeira, não é mesmo? Já que eles estão vivendo deliciosos momentos. Tudo bem que, não são apenas momentos, ela me disse que além da química que acontece entre eles, são capazes de virar noites conversando sobre assuntos aleatórios, e que dão boas risadas juntos, e que ele é dono do sorriso mais lindo que já viu em sua vida, mas o usa muito pouco.
Ela o conhece muito bem. E ele sabe de coisas dela que, como ela mesmo diz ‘que diabos, aquele homem tem que conseguiu tirar isso de mim?’. Então sabem muito um do outro. Mas ainda é cedo, eu lhe digo sempre para que use o cinto de segurança, e dependendo da velocidade, puxe o freio de mão. Não se deve ir com muita sede ao poço. Pode ser que seja apenas uma vertigem, pra ela que andava num deserto. Acontece. E, muito.
No mais, ela espera de coração que ele esteja bem, que ele esteja pensando nela ao menos um décimo do que ela pensa nele, o que já a deixaria imensamente feliz.
E eu escrevo a respeito porque de certa forma me pareço tanto com essa história, que acho maravilhoso relatá-la. Escrevo porque isso me faz me sentir tão mais feliz.
Escrevo porque me sinto com bastante energia ou adrenalina, e com os níveis de serotoninas equilibradíssimos!
Escrevo porque se não escrever a respeito do amor, nem que seja dos outros, eu explodo!
Escrevo porque sinto o mesmo que ela sente, e escrevendo transformo sentimentos, em versos, estrofes, dissertações, que em muitas vezes, nem precisa de entedimentos.
Acho que isso é tudo. Ou talvez a metade, ou o terço de todo esse inteiro que habita o meu, o coração dela, e quem sabe, até o dele. Nunca se sabe, de verdade.
Isso é viver. E o chavão nos diz: ‘viver é um risco’. Vamos?

:)

E a trilha sonora é:

Elocubrações e nada mais.

“Mas diga-me: não está arrependida de não me ter repelido quando eu me aproximei? Foram apenas dois minutos mas tornou-me feliz para sempre.”

[Fiodor Dostoievski]

- Obrigado por ter ficado mais do que 30 minutos naquela mesa.

Miss you.

Your arms

- Chega aqui, me dá um abraço apertado?
- Claro!
E, então que enquanto seu rosto aninhava os ombros alheios, foi dito:
- Sabe quantos abraços eu recebi tão bons quanto esse?
- 1 milhão? Sorri.
- Apenas 2. Meu filho e você.
E então, que sensações de borboletas no estômago invade aquele ser, e intensamente o abraço se torna mais e mais forte, até que quase se pudesse ouvir as batidas fortes daqueles dois corações: um em frente ao outro, um encaixe perfeito de duas caixas toráxicas, outrora vazias.
No entanto, no agora, neste presente, eu digo: aquele abraço – e todos os outros que se deram, e se darão – tem sido a moldura perfeita de seus corpos, e um convite pretextuoso para que seus lábios provem sempre o primeiro,  mais doce e demorado beijo de suas vidas. Sempre e sempre.

“Abraço tem que ter pegada, jeito, curva. Aperto suave, que pode virar colo. Alento tenso, que pode virar despedida. Abraço é confissão.
Abraço não pode ser rápido senão é empurrão.
Requer cruzamento dos braços e uma demora do rosto no linho.
Abraço é para atravessar o nosso corpo.”

[Carpinejar]